quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Texto Fantástico de Eduardo Galeano - Saudosismo, Humor, Consumismo, Ecologia e Sentimento num texto só...

Copio tal e qual como foi postado pelo xiru Maurício David, na comunidade Coisas do bom astral By Bomrício no facebook. Bom, o Maurício merce apresentações, mas pouco que conheço, fica dificil, mas posso dizer que é um índio taura do Rio Grande, que teve suas experiências longe do pago, e voltou prá querência, se estabelecendo entre o Bom Fim e a Cidade Baixa, é um artista underground, trabalha com arte, desing, enfim, nem sei direito hehhe Mas é coloradaço e atleticano por conta de sua passagem por Curitiba.... e gente boa prá caramba.

Bueno, o texto é do Eduardo Galeano, um baita escritor uruguaio, um texto que utiliza humor, conciência ecológica, conciência emocional, e retrata de uma maneira perfeita a situação que nos encontramos hoje como humanidade.

Não vou postar minha opinião de cara, mas seguirei postando nos comentários assim que der... Abraços

Eduardo Galeano
Jornalista e escritor uruguaio
"Isto é demais: bem escrito, bem lembrado, na dose certa do humor,na emoção, enfim, tudo deu certo neste texto. Ele é um dos maiores escritores do mundo. Leiam, divirtam-se, reflitam nas verdades."

O que acontece comigo é que não consigo andar pelo mundo pegando coisas e trocando-as pelo modelo seguinte só por que alguém adicionou uma nova função ou a diminuiu um pouco…

Não faz muito, com minha mulher, lavávamos as fraldas dos filhos, pendurávamos na corda junto com outras roupinhas, passávamos, dobrávamos e as preparávamos para que voltassem a serem sujadas.
E eles, nossos nenês, apenas cresceram e tiveram seus próprios filhos e se encarregaram de atirar tudo fora, incluindo as fraldas. Se entregaram, inescrupulosamente, às descartáveis!

Sim, já sei. À nossa geração sempre foi difícil jogar fora. Nem os defeituosos conseguíamos descartar! E, assim, andamos pelas ruas, guardando o muco no lenço de tecido, de bolso.
Nããão! Eu não digo que isto era melhor. O que digo é que, em algum momento, me distraí, caí do mundo e, agora, não sei por onde se volta.

O mais provável é que o de agora esteja bem, isto não discuto. O que acontece é que não consigo trocar os instrumentos musicais uma vez por ano, o celular a cada três meses ou o monitor do computador por todas as novidades.
Guardo os copos descartáveis! Lavo as luvas de látex que eram para usar uma só vez.

Os talheres de plástico convivem com os de aço inoxidável na gaveta dos talheres! É que venho de um tempo em que as coisas eram compradas para toda a vida!

E mais! Se compravam para a vida dos que vinham depois! A gente herdava relógios de parede, jogos de copas, vasilhas e até bacias de louça.
E acontece que em nosso, nem tão longo matrimônio, tivemos mais cozinhas do que as que haviam em todo o bairro em minha infância, e trocamos de refrigerador três vezes.

Nos estão incomodando! Eu descobri! Fazem de propósito! Tudo se lasca, se gasta, se oxida, se quebra ou se consome em pouco tempo para que possamos trocar.
Nada se arruma. O obsoleto é de fábrica.
Aonde estão os sapateiros fazendo meia-solas dos tênis Nike? Alguém viu algum colchoeiro encordoando colchões, casa por casa? Quem arruma as facas elétricas? o afiador ou o eletricista? Haverá teflon para os funileiros ou assentos de aviões para os talabarteiros?

Tudo se joga fora, tudo se descarta e, entretanto, produzimos mais e mais e mais lixo. Outro dia, li que se produziu mais lixo nos últimos 40 anos que em toda a história da humanidade.

Quem tem menos de 30 anos não vai acreditar: quando eu era pequeno, pela minha casa não passava o caminhão que recolhe o lixo! Eu juro! E tenho menos de ... anos! Todos os descartáveis eram orgânicos e iam parar no galinheiro, aos patos ou aos coelhos (e não estou falando do século XVII). Não existia o plástico, nem o nylon. A borracha só víamos nas rodas dos autos e, as que não estavam rodando, as queimávamos na Festa de São João. Os poucos descartáveis que não eram comidos pelos animais, serviam de adubo ou se queimava..
Desse tempo venho eu. E não que tenha sido melhor.... É que não é fácil para uma pobre pessoa, que educaram com "guarde e guarde que alguma vez pode servir para alguma coisa", mudar para o "compre e jogue fora que já vem um novo modelo".
Troca-se de carro a cada 3 anos, no máximo, por que, caso contrário, és um pobretão. Ainda que o carro que tenhas esteja em bom estado... E precisamos viver endividados, eternamente, para pagar o novo!!! Mas... pelo amor de Deus!
Minha cabeça não resiste tanto. Agora, meus parentes e os filhos de meus amigos não só trocam de celular uma vez por semana, como, além disto, trocam o número, o endereço eletrônico e, até, o endereço real.

E a mim que me prepararam para viver com o mesmo número, a mesma mulher e o mesmo nome (e vá que era um nome para trocar). Me educaram para guardar tudo. Tuuuudo! O que servia e o que não servia. Por que, algum dia, as coisas poderiam voltar a servir.
Acreditávamos em tudo. Sim, já sei, tivemos um grande problema: nunca nos explicaram que coisas poderiam servir e que coisas não. E no afã de guardar (por que éramos de acreditar), guardávamos até o umbigo de nosso primeiro filho, o dente do segundo, os cadernos do jardim de infância e não sei como não guardamos o primeiro cocô.

Como querem que entenda a essa gente que se descarta de seu celular a poucos meses de o comprar? Será que quando as coisas são conseguidas tão facilmente, não se valorizam e se tornam descartáveis com a mesma facilidade com que foram conseguidas?
Em casa tínhamos um móvel com quatro gavetas. A primeira gaveta era para as toalhas de mesa e os panos de prato, a segunda para os talheres e a terceira e a quarta para tudo o que não fosse toalha ou talheres. E guardávamos...

Como guardávamos!! Tuuuudo!!! Guardávamos as tampinhas dos refrescos!! Como, para quê? Fazíamos limpadores de calçadas, para colocar diante da porta para tirar o barro. Dobradas e enganchadas numa corda, se tornavam cortinas para os bares. Ao fim das aulas, lhes tirávamos a cortiça, as martelávamos e as pregávamos em uma tabuinha para fazer instrumentos para a festa de fim de ano da escola.

Tuuudo guardávamos! Enquanto o mundo espremia o cérebro para inventar acendedores descartáveis ao término de seu tempo, inventávamos a recarga para acendedores descartáveis. E as Gillette até partidas ao meio se transformavam em apontadores por todo o tempo escolar. E nossas gavetas guardavam as chavezinhas das latas de sardinhas ou de corned-beef, na possibilidade de que alguma lata viesse sem sua chave.
E as pilhas! As pilhas das primeiras Spica passavam do congelador ao telhado da casa. Por que não sabíamos bem se se devia dar calor ou frio para que durassem um pouco mais. Não nos resignávamos que terminasse sua vida útil, não podíamos acreditar que algo vivesse menos que um jasmim. As coisas não eram descartáveis. Eram guardáveis.

Os jornais!!! Serviam para tudo: para servir de forro para as botas de borracha, para por no piso nos dias de chuva e por sobre todas as coisas para enrolar.

Às vezes sabíamos alguma notícia lendo o jornal tirado de um pedaço de carne!!! E guardávamos o papel de alumínio dos chocolates e dos cigarros para fazer guias de enfeites de natal, e as páginas dos almanaques para fazer quadros, e os conta-gotas dos remédios para algum medicamento que não o trouxesse, e os fósforos usados por que podíamos acender uma boca de fogão (Volcán era a marca de um fogão que funcionava com gás de querosene) desde outra que estivesse acesa, e as caixas de sapatos se transformavam nos primeiros álbuns de fotos e os baralhos se reutilizavam, mesmo que faltasse alguma carta, com a inscrição a mão em um valete de espada que dizia "esta é um 4 de paus".

As gavetas guardavam pedaços esquerdos de prendedores de roupa e o ganchinho de metal. Ao tempo esperavam somente pedaços direitos que esperavam a sua outra metade, para voltar outra vez a ser um prendedor completo.

Eu sei o que nos acontecia: nos custava muito declarar a morte de nossos objetos. Assim como hoje as novas gerações decidem matá-los tão-logo aparentem deixar de ser úteis, aqueles tempos eram de não se declarar nada morto: nem a Walt Disney!!!

E quando nos venderam sorvetes em copinhos, cuja tampa se convertia em base, e nos disseram: Comam o sorvete e depois joguem o copinho fora, nós dizíamos que sim, mas, imagina que a tirávamos fora!!! As colocávamos a viver na estante dos copos e das taças. As latas de ervilhas e de pêssegos se transformavam em vasos e até telefones. As primeiras garrafas de plástico se transformaram em enfeites de duvidosa beleza. As caixas de ovos se converteram em depósitos de aquarelas, as tampas de garrafões em cinzeiros, as primeiras latas de cerveja em porta-lápis e as cortiças esperaram encontrar-se com uma garrafa.

E me mordo para não fazer um paralelo entre os valores que se descartam e os que preservávamos. Ah!!! Não vou fazer!!!
Morro por dizer que hoje não só os eletrodomésticos são descartáveis; também o matrimônio e até a amizade são descartáveis. Mas não cometerei a imprudência de comparar objetos com pessoas.

Me mordo para não falar da identidade que se vai perdendo, da memória coletiva que se vai descartando, do passado efêmero. Não vou fazer.
Não vou misturar os temas, não vou dizer que ao eterno tornaram caduco e ao caduco fizeram eterno.
Não vou dizer que aos velhos se declara a morte apenas começam a falhar em suas funções, que aos cônjuges se trocam por modelos mais novos, que as pessoas a que lhes falta alguma função se discrimina o que se valoriza aos mais bonitos, com brilhos, com brilhantina no cabelo e glamour.

Esta só é uma crônica que fala de fraldas e de celulares. Do contrário, se misturariam as coisas, teria que pensar seriamente em entregar à bruxa, como parte do pagamento de uma senhora com menos quilômetros e alguma função nova. Mas, como sou lento para transitar este mundo da reposição e corro o risco de que a bruxa me ganhe a mão e seja eu o entregue...
Eduardo Galeano
* Jornalista e escritor uruguaio

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Dnjango Unchained - Faroeste do Tarantino em fase de produção

A procura de informação sobre a produção do tão esperado Kill Bill volume 3, ou melhor, "a parte 3 da saga da noiva" como o próprio Tarantino por enquanto chama, que a princípio fica para 2014 mesmo, acabei de descobrir sobre o novo filme dele que está em fase de produção já...

Bueno, o diretor/ator/produtor/roteirista mais maluco de Hollywood nos brindará com um faroeste chamado "Dnjango Unchained" algo como Dnjango Desacorrentado, (tradução minha, corrigam se necessário), uma alusão a condição de escravo liberto do herói do filme, Django interpretado por Jamie Foxx, e que não se assustem se o filme for lançado no Brasil com o nome de "Broomhilda".

Retirado do virgula.uol.com.br (fotos do set de filmagem, e mais algumas informações, só clicar)

"O filme vai contar a história de Django (Jamie Foxx), um escravo liberto que fará de tudo para resgatar sua mulher, Broomhilda (Kerry Washington), que foi parar nas mãos de um cruel proprietário de terras, Calvin Candle (Leonardo DiCaprio), depois de um jogo de cartas.

Django conta a com a ajuda de um ex-dentista e atual caçador de recompensas alemão, King Schultz (Christoph Waltz), que ensina a ele alguns truques de sua nova profissão. Os dois partem então para enfrentar o grande vilão.

O elenco terá ainda Samuel L. Jackson, como Stephen, o braço direito de Candie, e Laura Cayouette, que já trabalhou com Tarantino em Kill Bill e agora será a irmã viúva e co-proprietária da plantação de Candie.

Além deles também estarão no filme M. C. Gainey (Lost), como Big John Brittle e Don Johnson como Spencer Gordon Bennet. Kurt Russell ficou com o papel de Ace Wood, que seria de Kevin Costner."

No link acima já tem fotos do set, e no Imdb já tem informação sobre o filme.

Bom, faroeste do Tarantino, com Leonardo di Caprio como vilão de verdade, Samuel L. Jackson como seu capanga, Jamie Foxx como herói, Kurt Russel, Kerry Washington... bom, tem tudo prá ser um baita filme.

Prá mim já é o filme mais esperado de 2013, sim de 2013, já que a estréia será só em 25 de dezembro(nos Estados Unidos), mas aguardaremos com toda certeza até lá, prá saber como o Tarantino nos vai surpreender desta vez.

Abraços, e até mais!

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Depois do versão brasileira, versão estrangeira...

Não é de hoje que músicas brasileiras ganham versão no estrangeiro, grandes sucessos do passado já ganharam suas versões gringas, uma em especial chama sempre minha atenção: Ave Maria no Morro.

Belíssima canção de Heriverto Martins, é uma das músicas brasileiras mais regravadas, e ganhou diversas versões, em inglês, italiano, espanhol, francês, mas com certeza a que chama mais atenção é a versão dos Scorpions. Não sei de quem exatamente é a versão da letra, não achei os créditos, mas isso é o que menos importa...

Pedindo licença ao Wikipedia :

"Martins escreveu a canção enquanto escutava o barulho de pardais se recolhendo às árvores para dormir. A partir disso compôs os seguintes versos da canção: "tem alvorada, tem passarada, ao alvorecer / sinfonia de pardais, anunciando o anoitecer".

A canção narra que os moradores de uma favela carioca (referenciados apenas como "morro") rezam uma Ave-Maria coletiva pedindo uma vida melhor antes de se retirarem para seus barracões durante o anoitecer.

Entusiasmado com a canção que acabara de compor, Martins resolveu interpretá-la para o amigo Benedito Lacerda com seu Trio de Ouro. Martins disse que estava crente de que agradariam a Lacerda, mas terminada a apresentação, Lacerda tirou os óculos e lhes disse: "isso é música de igreja, vamos fazer música para ganhar dinheiro".

Certo tempo depois, o Trio de Ouro gravou a canção, que se transformou num enorme sucesso, mesmo após o Dom Sebastião Leme tê-la considerado uma heresia e ter pedido por seu banimento, que só não foi concretizado devido às relações de amizade que Martins mantinha com os censores da época."

Uma das primeiras versões nacionais da música, na voz de Dalva de Oliveira



A versão dos Scorpions



Outra coisa interessante é a maneira que se alterou a letra, mas não se perde em nada o contexto que a letra original quer passar. Dá para dizer que a versão universalizou a canção, tirou do Rio de Janeiro, Brasil, e cabe em em qualquer lugar pobre do mundo.

Prá terminar, dobre a lingua prá falar que metal é música do capeta daqui por diante hehehe

Abraços