sexta-feira, 22 de março de 2013

Garcias em Buenos Aires!



Buenas Noches!

Como sempre, mais um enorme espaço de tempo entre uma postagem e outra, mas é assim que tá virado a geléia do Alcindo, igualzinho a minha vida, bastante corrida, pouco tempo para escrever, mas enfim...
Mas hoje, enquanto estamos em nosso terceiro dia em Buenos Aires, além de ser uma noite de folga na programação, tenho toda uma inspiração para escrever:  contar um pouco dessa viagem com minha mãe.
Chegamos na quarta-feira, próximo das 16 horas fizemos o check in no Hotel, demos algumas voltas próximo ao Hotel que é praticamente grudado no Obelisco, procuramos um local para um lanche e cometemos um pequeno deslize, pelo cardápio parecia ser um lanchinho básico, mas na verdade era um enorme de um sanduiche, com um hambúrguer de 2 dedos de espessura, uma espécie de bauru. Era um lanche, virou nossa janta, demos mais uma reconhecida no território, começou a chover e voltamos ao hotel.
Com a chuva e sem programação para noite, ficamos pelo hotel, aproveitei para tomar um banho de banheira bem demorado.
Quinta-feira pela manhã tinhamos o City Tour programado, o melhor sempre de um City Tour, é conhecer de uma forma geral a cidade, e o melhor de tudo puxar papo com quem já conhece a cidade. Puxei papo com uma espécie de ajudante da guia e fui pedindo informação, usando sempre o futebol como ponto de integração, acabei pegando várias dicas.
Principais pontos do City Tour, Caminito, Plaza de Mayo/Catedral/Casa Rosada e finalizando com a promessa de uma aula de Tango.  A aula era de 15 minutos, impossível aprender algo e tiramos foto apenas e fomos almoçar.
Uma das coisas mais interessantes quando se visita uma cidade diferente é se misturar a população, andar pela cidade como se porteño fosse.  Fomos de Subte (Metrô), pequeno adendo agora, gostei bastante do transporte público, barato, eficiente, sempre cheio, mas nenhuma vez lotado. Metrô AR$ 2,50 (menos de 1 real), Trem Urbano AR$ 2,25 e Onibus AR$ 3,00 (pouco mais de um real). Porém tem seus problemas também, mas acho que farei um post só sobre isso no retorno ao Brasil.
A tarde fomos ao famoso Bairro de San Telmo na busca do Mercado de San Telmo. Utilizamos a Linea C, da Estacion Diagonal Norte até a Estacion Independência são 3 estações, chegamos rápido coisa de 10 minutos e já estávamos lá. Demorou mais a caminhada até ao Mercado. Bom, algo completamente peculiar eu gostei muito apesar do lugar ser decadente, mal cuidado, tinha de tudo, muita antiguidade, aquelas coisas que só vemos no “Caçadores de Relíquia” ou no “Trato Feito”, frutas, verduras, temperos, carne, roupa, couro enfim, tipo o Mercado Público de Porto Alegre, só que com mais coisas diferentes e menos opções de alimentação. Adorei o lugar, indico para quem gosta de antiguidades, lugar muito peculiar mesmo.
A noite show de Tango no Complejo Tango... Fantástico em especial por três motivos: Comida Fantástica, Show excelente e principalmente pela companhia. Chegamos e tinha uma mesa para 6 com 3 sobrenomes: Guardiola, Garcia e Sanchez. Os Guardiolas era um casal de Franceses, apesar do sobrenome, muito simpáticos e que conversamos muito, um pouco em português, um pouco em espanhol, um pouco em inglês e até algumas palavrinhas em francês. Os Sanchez, suíços de Genebra, também simpáticos, porém com menos interação do que com os Guardiolas. Muito interessante e de novo o futebol nos ajudou na comunicação. Torcedor do Monaco e do Barcelona, logo que falei em Internacional Del Porto Alegre, já falou em Campeão Mundial e fomos de Falcão até Damião conversando sobre o Inter. Show no melhor sentido de show, um espetáculo tanto de dança como de teatro, remontando a história do Tango, com uma banda tocando ao vivo e um ótimo cantor, e as dançarinas muy hermosas hehehe
Hoje o dia começou com uma pequena frustração, sem nos informar fomos a Nuñez conhecer o Monumental, legal que fomos perguntando e chegamos fácil lá. Linea C do Metrô até a Estacion Retiro, Trem que vai para Tigres até Nuñez, no que desse da estação fomos perguntando e chegamos fácil, apesar de termos andado quase 1 km. Ao chegar somente fotos externas, estádio fechado por conta do jogo Argentina x Venezuela, algo completamente sem sentido o museu estar fechado em dia de jogo, mas fazer o que...
Voltamos e passamos um pouco da nossa estação, fomos direto a Plaza de Mayo achar algum lugar para almoçar.
A Tarde, La Bombonera! Sabia que era numa paralela a Avenida de Mayo que se pegava o 64 em direção a La Boca, errei a paralela, mas voltamos e no que chegamos no ponto já estava vindo o ônibus. Descemos no Caminito, e agora sim conhecemos o Caminito de uma maneira legal, sem preocupação com o tempo como foi quando estávamos no city tour. Lugar realmente fantástico e peculiar, varias lojas legais, exposições e vendas de gravuras na rua. Cerca de 400 metros dali, La Bombonera. Chegamos por volta das 14 horas dentro de La Bombonera, a visita guiada que entra nas superiores e no gramado só iniciaria as 15 horas, resolvemos fazer sem guia, só vai na inferior e visita o museu, quase o mesmo preço da outra, um pouco menos atrativa, mas já satisfaz bem.
Fotos e mais fotos, voltas e mais voltas e voltamos de ônibus para a Plaza de Mayo e fomos caminhando em Direção ao Hotel, o que daria uns 600 metros mais ou menos pelas minhas contas, eis que no meio do caminho digo prá mãe,” vamos entrar numa rua qualquer aí, prá ver no que dá?” Sorte ou não, entramos na rua mais famosa de Buenos Aires, La Calle Florida. Prá mim é uma Rua da Praia com grife hehehe Comércio, bela arquitetura, muitas lojas, e obras o que estragou um pouco o visual. Por sinal, Buenos Aires inteiro está em obras parece que vai ter Copa aqui e não vai ter em Porto Alegre, muita obra mesmo.
Retorno, mais algumas fotos no Obelisco, jantar no hotel e depois dar mais uma volta pela noite Porteña, uma caminhada apenas para pegar um ar.
Alguns pontos que esqueci no meio do Texto, Catedral muito linda, vimos a entrada do prédio do Papa, já é um lugar que está chamando atenção, vai virar ponto de perigrinação daqui um tempo.
Programação cheia amanhã, vamos ver se no retorno escrevo um pouco mais sobre, mas amanhã é algo bem campeiro a programação.

E lógico, não poderia faltar algumas fotinhos, fica aí uma pequena amostra em fotos.


















terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Já já, post novo, foi o que eu disse em julho...

DICIONÁRIO BRASILEIRO DE PRAZOS



  Para evitar que estrangeiros fiquem pegando injustamente no nosso pé
- e para nos entendermos melhor -
está sendo compilado o Dicionário Brasileiro de Prazos (que já deveria
estar pronto, mas atrasou...), do qual foram extraídos os trechos a
seguir:


DEPENDE: Envolve a conjunção de várias incógnitas, todas desfavoráveis.
Em situações anormais, pode até significar sim, embora até hoje tal
fenômeno só tenha sido registrado em testes teóricos de laboratório. O
mais comum é que signifique diversos pretextos para dizer não.

JÁ JÁ: Aos incautos, pode dar a impressão de ser duas vezes mais rápido
do que já. Ledo engano; é muito mais lento. "Faço já" significa "Passou
a ser minha primeira prioridade", enquanto "Faço já já" quer dizer
apenas "Assim que eu terminar de ler meu jornal, prometo que vou pensar
a respeito".

LOGO: Logo é bem mais tempo do que "dentro em breve" e muito mais do que
"daqui a pouco". É tão indeterminado que pode até levar séculos. "Logo
chegaremos a outras galáxias", por exemplo. É preciso também tomar
cuidado com a frase "Mas logo eu?", que quer dizer "Tô fora".

MÊS QUE VEM: Parece coisa de primeiro grau, mas ainda tem estrangeiro
que não entendeu. Existem só três tipos de meses: aquele em que estamos
agora, os que já passaram e os que ainda estão por vir. Portanto, todos
os meses, do próximo até o Apocalipse, são meses que vêm!

NO MÁXIMO: Essa é fácil: quer dizer "no mínimo". Exemplo: Entrego em
meia hora, no máximo. Significa que a única certeza é de que a coisa não
será entregue antes de meia hora.

PODE DEIXAR: Traduz-se como nunca.

POR VOLTA: Similar a "no máximo". É uma medida de tempo dilatada, em que
o limite inferior é claro, mas o superior é totalmente indefinido. "Por
volta das 5h" quer dizer "A partir das 5h".

SEM FALTA: É uma expressão que só se usa depois do terceiro atraso.
Porque depois do primeiro, deve-se dizer "Fique tranqüilo que amanhã eu
entrego". E depois do segundo, "Relaxa, amanhã estará em sua mesa". Só
aí é que vem o "Amanhã, sem falta".

UM MINUTINHO: É um período de tempo incerto e não sabido, que nada tem a
ver com um intervalo de 60 segundos e raramente dura menos que cinco
minutos.

VEJA BEM: É o day after do depende. Significa "Viu como pressionar não
adianta?". É utilizado da seguinte maneira: "Mas você não prometeu os
cálculos para hoje?" Resposta: "Veja bem..."

XIIII...: Se dito neste tom, após a frase: "Não vou mais tolerar
atrasos, OK?" Exprime dó e piedade por tamanha ignorância sobre nossa
cultura.

ZÁS-TRÁS: Palavra em moda até uns 30 anos atrás e que significava
ligeireza no cumprimento de uma tarefa, com total eficiência e sem
nenhuma desculpa. Por isso mesmo, caiu em desuso e foi abolida do
dicionário.
 
créditos Diogo Figueiredo e http://www-di.inf.puc-rio.br/~endler/links/piadas/Dicionario-prazos.txt

terça-feira, 19 de junho de 2012

Músicas Gêmeas

Mais uma vez o blog envereda para o lado músical. Tema de hoje: Músicas gêmeas.

Existem muitas músicas que de alguma maneira complementam outras músicas, de um jeito ou de outro. Dois casos explicitos são: Perfeita Simetria e O Papa é Pop (ambas Engenheiros do Hawai) , mas tão explicita que Perfeita Simetria tem o nome por ter ganho a letra perfeitamente simétrica com a letra de o papa é pop para o encaixe na música. Outro caso simétrico, são Espelho e Além do Espelho, do João Nogueira. Esses dois sambas, provavelmente compostos em madureira, é algo incrivelmente lindo, escrito por um filho ao seu pai, e um pai ao seu filho: João Nogueira, filho de um advogado e compositor escreve numa oportunidade Espelho, e o refrão que diz que o medo maior dele é o que o espelho se quebre("e o meu maior é o espelho se quebrar") é algo tão simples e bonito, como quem diz: "pai, não quero te decepcionar" e "filho, segue o caminho do pai por favor". Mestre João Nogueira, pode ter certeza que o espelho do teu pai não se quebrou, e mesmo com o rumo futebolístico do teu filho, foste "além do espelho" também.  Essas duas músicas me vêem a mente um cara com dois espelhos, um pro passado e outro para o futuro, e refletiu para os dois lados da mesma maneira.

Nunca fui a fundo para saber este outro caso, mas tem duas músicas que são muito parecidas "Morenaça" imortalizada por Oswaldir e Carlos Magrão e "Morena Rosa" pelos "Os Mirins", bom, prá mim pode ter ocorrido algum plágio, mas enfim, prá mim são gêmeas.

Chega de bole e bole, tirem suas prórpias conclusões das três ou seis músicas citadas hehehe 


 

terça-feira, 8 de maio de 2012

Pequena Paródia Prolixa

Bueno Indiada, depois de mais um tempo sem escrever, vai mais algo pro blog, espero que gostem.

Esse texto surgiu de uma brincadeira ontem, e a 4 mãos foi escrito. É apenas uma pequena bobagem, de alguma maneira inspirada no texto genial do Chico Anysio: Mundo Moderno



Se você se ofende ao ler um palavrão aqui e acolá, pare por aqui, por que vai começar a baixaria hehehee


Pequena Paródia Prolixa

Principiantes preferem palestrar palavras puritanas. Porém, paulatinamente, passam a proferir palavras piores, por parecer putaria!

Passei pensando.
Pobre Patrícia...
Prostituindo-se por poucos punhados, purpurinados pilas...
Pobre Patrícia, parte para putaria, pererecando, procurando pilas, prazeres, pirocas
porque putiar?

Pare, pense Patrícia.
Porque putiar? passam pela perereca, pintos parasitas, possuidores perspicazes, permanentes... provisórios...

Pouca pompa, pouco permanecendo, pouco positivos,  pouco prudentes...

Pode parecer perseguição, porém, Paula puritana perplexa, precisa pensar, ponderar permanentemente para poder preparar Patrícia... pequena parceira, perspicaz paciente, puta proletária, precavendo-se por proventos paradisíacos...

Paula, precipitou-se, partiu para prosa:

- Preserve-se, previna-se....
- Poupe palavras Paula, parece polícia! Pergunta porque puteio? Preciso prazeres, preciso pilas
- Porra Patrícia! Pare Puta! Permaneça pecando paulatinamente, pererecando, pelada...
Perecerá,  pobre, podre...
possuída pelo pecado...
perturbada...
partirá.


Patrícia partiu para porrada, proferiu pontapés, palavrões....

Paula perdeu, porém permanecerá procurando purificar Patrícia....


____________

PS. Perdão pela falta do crédito a parceira, mas acho que fica anonima....

Valeu pela pequena brincadeira....

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Texto Fantástico de Eduardo Galeano - Saudosismo, Humor, Consumismo, Ecologia e Sentimento num texto só...

Copio tal e qual como foi postado pelo xiru Maurício David, na comunidade Coisas do bom astral By Bomrício no facebook. Bom, o Maurício merce apresentações, mas pouco que conheço, fica dificil, mas posso dizer que é um índio taura do Rio Grande, que teve suas experiências longe do pago, e voltou prá querência, se estabelecendo entre o Bom Fim e a Cidade Baixa, é um artista underground, trabalha com arte, desing, enfim, nem sei direito hehhe Mas é coloradaço e atleticano por conta de sua passagem por Curitiba.... e gente boa prá caramba.

Bueno, o texto é do Eduardo Galeano, um baita escritor uruguaio, um texto que utiliza humor, conciência ecológica, conciência emocional, e retrata de uma maneira perfeita a situação que nos encontramos hoje como humanidade.

Não vou postar minha opinião de cara, mas seguirei postando nos comentários assim que der... Abraços

Eduardo Galeano
Jornalista e escritor uruguaio
"Isto é demais: bem escrito, bem lembrado, na dose certa do humor,na emoção, enfim, tudo deu certo neste texto. Ele é um dos maiores escritores do mundo. Leiam, divirtam-se, reflitam nas verdades."

O que acontece comigo é que não consigo andar pelo mundo pegando coisas e trocando-as pelo modelo seguinte só por que alguém adicionou uma nova função ou a diminuiu um pouco…

Não faz muito, com minha mulher, lavávamos as fraldas dos filhos, pendurávamos na corda junto com outras roupinhas, passávamos, dobrávamos e as preparávamos para que voltassem a serem sujadas.
E eles, nossos nenês, apenas cresceram e tiveram seus próprios filhos e se encarregaram de atirar tudo fora, incluindo as fraldas. Se entregaram, inescrupulosamente, às descartáveis!

Sim, já sei. À nossa geração sempre foi difícil jogar fora. Nem os defeituosos conseguíamos descartar! E, assim, andamos pelas ruas, guardando o muco no lenço de tecido, de bolso.
Nããão! Eu não digo que isto era melhor. O que digo é que, em algum momento, me distraí, caí do mundo e, agora, não sei por onde se volta.

O mais provável é que o de agora esteja bem, isto não discuto. O que acontece é que não consigo trocar os instrumentos musicais uma vez por ano, o celular a cada três meses ou o monitor do computador por todas as novidades.
Guardo os copos descartáveis! Lavo as luvas de látex que eram para usar uma só vez.

Os talheres de plástico convivem com os de aço inoxidável na gaveta dos talheres! É que venho de um tempo em que as coisas eram compradas para toda a vida!

E mais! Se compravam para a vida dos que vinham depois! A gente herdava relógios de parede, jogos de copas, vasilhas e até bacias de louça.
E acontece que em nosso, nem tão longo matrimônio, tivemos mais cozinhas do que as que haviam em todo o bairro em minha infância, e trocamos de refrigerador três vezes.

Nos estão incomodando! Eu descobri! Fazem de propósito! Tudo se lasca, se gasta, se oxida, se quebra ou se consome em pouco tempo para que possamos trocar.
Nada se arruma. O obsoleto é de fábrica.
Aonde estão os sapateiros fazendo meia-solas dos tênis Nike? Alguém viu algum colchoeiro encordoando colchões, casa por casa? Quem arruma as facas elétricas? o afiador ou o eletricista? Haverá teflon para os funileiros ou assentos de aviões para os talabarteiros?

Tudo se joga fora, tudo se descarta e, entretanto, produzimos mais e mais e mais lixo. Outro dia, li que se produziu mais lixo nos últimos 40 anos que em toda a história da humanidade.

Quem tem menos de 30 anos não vai acreditar: quando eu era pequeno, pela minha casa não passava o caminhão que recolhe o lixo! Eu juro! E tenho menos de ... anos! Todos os descartáveis eram orgânicos e iam parar no galinheiro, aos patos ou aos coelhos (e não estou falando do século XVII). Não existia o plástico, nem o nylon. A borracha só víamos nas rodas dos autos e, as que não estavam rodando, as queimávamos na Festa de São João. Os poucos descartáveis que não eram comidos pelos animais, serviam de adubo ou se queimava..
Desse tempo venho eu. E não que tenha sido melhor.... É que não é fácil para uma pobre pessoa, que educaram com "guarde e guarde que alguma vez pode servir para alguma coisa", mudar para o "compre e jogue fora que já vem um novo modelo".
Troca-se de carro a cada 3 anos, no máximo, por que, caso contrário, és um pobretão. Ainda que o carro que tenhas esteja em bom estado... E precisamos viver endividados, eternamente, para pagar o novo!!! Mas... pelo amor de Deus!
Minha cabeça não resiste tanto. Agora, meus parentes e os filhos de meus amigos não só trocam de celular uma vez por semana, como, além disto, trocam o número, o endereço eletrônico e, até, o endereço real.

E a mim que me prepararam para viver com o mesmo número, a mesma mulher e o mesmo nome (e vá que era um nome para trocar). Me educaram para guardar tudo. Tuuuudo! O que servia e o que não servia. Por que, algum dia, as coisas poderiam voltar a servir.
Acreditávamos em tudo. Sim, já sei, tivemos um grande problema: nunca nos explicaram que coisas poderiam servir e que coisas não. E no afã de guardar (por que éramos de acreditar), guardávamos até o umbigo de nosso primeiro filho, o dente do segundo, os cadernos do jardim de infância e não sei como não guardamos o primeiro cocô.

Como querem que entenda a essa gente que se descarta de seu celular a poucos meses de o comprar? Será que quando as coisas são conseguidas tão facilmente, não se valorizam e se tornam descartáveis com a mesma facilidade com que foram conseguidas?
Em casa tínhamos um móvel com quatro gavetas. A primeira gaveta era para as toalhas de mesa e os panos de prato, a segunda para os talheres e a terceira e a quarta para tudo o que não fosse toalha ou talheres. E guardávamos...

Como guardávamos!! Tuuuudo!!! Guardávamos as tampinhas dos refrescos!! Como, para quê? Fazíamos limpadores de calçadas, para colocar diante da porta para tirar o barro. Dobradas e enganchadas numa corda, se tornavam cortinas para os bares. Ao fim das aulas, lhes tirávamos a cortiça, as martelávamos e as pregávamos em uma tabuinha para fazer instrumentos para a festa de fim de ano da escola.

Tuuudo guardávamos! Enquanto o mundo espremia o cérebro para inventar acendedores descartáveis ao término de seu tempo, inventávamos a recarga para acendedores descartáveis. E as Gillette até partidas ao meio se transformavam em apontadores por todo o tempo escolar. E nossas gavetas guardavam as chavezinhas das latas de sardinhas ou de corned-beef, na possibilidade de que alguma lata viesse sem sua chave.
E as pilhas! As pilhas das primeiras Spica passavam do congelador ao telhado da casa. Por que não sabíamos bem se se devia dar calor ou frio para que durassem um pouco mais. Não nos resignávamos que terminasse sua vida útil, não podíamos acreditar que algo vivesse menos que um jasmim. As coisas não eram descartáveis. Eram guardáveis.

Os jornais!!! Serviam para tudo: para servir de forro para as botas de borracha, para por no piso nos dias de chuva e por sobre todas as coisas para enrolar.

Às vezes sabíamos alguma notícia lendo o jornal tirado de um pedaço de carne!!! E guardávamos o papel de alumínio dos chocolates e dos cigarros para fazer guias de enfeites de natal, e as páginas dos almanaques para fazer quadros, e os conta-gotas dos remédios para algum medicamento que não o trouxesse, e os fósforos usados por que podíamos acender uma boca de fogão (Volcán era a marca de um fogão que funcionava com gás de querosene) desde outra que estivesse acesa, e as caixas de sapatos se transformavam nos primeiros álbuns de fotos e os baralhos se reutilizavam, mesmo que faltasse alguma carta, com a inscrição a mão em um valete de espada que dizia "esta é um 4 de paus".

As gavetas guardavam pedaços esquerdos de prendedores de roupa e o ganchinho de metal. Ao tempo esperavam somente pedaços direitos que esperavam a sua outra metade, para voltar outra vez a ser um prendedor completo.

Eu sei o que nos acontecia: nos custava muito declarar a morte de nossos objetos. Assim como hoje as novas gerações decidem matá-los tão-logo aparentem deixar de ser úteis, aqueles tempos eram de não se declarar nada morto: nem a Walt Disney!!!

E quando nos venderam sorvetes em copinhos, cuja tampa se convertia em base, e nos disseram: Comam o sorvete e depois joguem o copinho fora, nós dizíamos que sim, mas, imagina que a tirávamos fora!!! As colocávamos a viver na estante dos copos e das taças. As latas de ervilhas e de pêssegos se transformavam em vasos e até telefones. As primeiras garrafas de plástico se transformaram em enfeites de duvidosa beleza. As caixas de ovos se converteram em depósitos de aquarelas, as tampas de garrafões em cinzeiros, as primeiras latas de cerveja em porta-lápis e as cortiças esperaram encontrar-se com uma garrafa.

E me mordo para não fazer um paralelo entre os valores que se descartam e os que preservávamos. Ah!!! Não vou fazer!!!
Morro por dizer que hoje não só os eletrodomésticos são descartáveis; também o matrimônio e até a amizade são descartáveis. Mas não cometerei a imprudência de comparar objetos com pessoas.

Me mordo para não falar da identidade que se vai perdendo, da memória coletiva que se vai descartando, do passado efêmero. Não vou fazer.
Não vou misturar os temas, não vou dizer que ao eterno tornaram caduco e ao caduco fizeram eterno.
Não vou dizer que aos velhos se declara a morte apenas começam a falhar em suas funções, que aos cônjuges se trocam por modelos mais novos, que as pessoas a que lhes falta alguma função se discrimina o que se valoriza aos mais bonitos, com brilhos, com brilhantina no cabelo e glamour.

Esta só é uma crônica que fala de fraldas e de celulares. Do contrário, se misturariam as coisas, teria que pensar seriamente em entregar à bruxa, como parte do pagamento de uma senhora com menos quilômetros e alguma função nova. Mas, como sou lento para transitar este mundo da reposição e corro o risco de que a bruxa me ganhe a mão e seja eu o entregue...
Eduardo Galeano
* Jornalista e escritor uruguaio

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Dnjango Unchained - Faroeste do Tarantino em fase de produção

A procura de informação sobre a produção do tão esperado Kill Bill volume 3, ou melhor, "a parte 3 da saga da noiva" como o próprio Tarantino por enquanto chama, que a princípio fica para 2014 mesmo, acabei de descobrir sobre o novo filme dele que está em fase de produção já...

Bueno, o diretor/ator/produtor/roteirista mais maluco de Hollywood nos brindará com um faroeste chamado "Dnjango Unchained" algo como Dnjango Desacorrentado, (tradução minha, corrigam se necessário), uma alusão a condição de escravo liberto do herói do filme, Django interpretado por Jamie Foxx, e que não se assustem se o filme for lançado no Brasil com o nome de "Broomhilda".

Retirado do virgula.uol.com.br (fotos do set de filmagem, e mais algumas informações, só clicar)

"O filme vai contar a história de Django (Jamie Foxx), um escravo liberto que fará de tudo para resgatar sua mulher, Broomhilda (Kerry Washington), que foi parar nas mãos de um cruel proprietário de terras, Calvin Candle (Leonardo DiCaprio), depois de um jogo de cartas.

Django conta a com a ajuda de um ex-dentista e atual caçador de recompensas alemão, King Schultz (Christoph Waltz), que ensina a ele alguns truques de sua nova profissão. Os dois partem então para enfrentar o grande vilão.

O elenco terá ainda Samuel L. Jackson, como Stephen, o braço direito de Candie, e Laura Cayouette, que já trabalhou com Tarantino em Kill Bill e agora será a irmã viúva e co-proprietária da plantação de Candie.

Além deles também estarão no filme M. C. Gainey (Lost), como Big John Brittle e Don Johnson como Spencer Gordon Bennet. Kurt Russell ficou com o papel de Ace Wood, que seria de Kevin Costner."

No link acima já tem fotos do set, e no Imdb já tem informação sobre o filme.

Bom, faroeste do Tarantino, com Leonardo di Caprio como vilão de verdade, Samuel L. Jackson como seu capanga, Jamie Foxx como herói, Kurt Russel, Kerry Washington... bom, tem tudo prá ser um baita filme.

Prá mim já é o filme mais esperado de 2013, sim de 2013, já que a estréia será só em 25 de dezembro(nos Estados Unidos), mas aguardaremos com toda certeza até lá, prá saber como o Tarantino nos vai surpreender desta vez.

Abraços, e até mais!

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Depois do versão brasileira, versão estrangeira...

Não é de hoje que músicas brasileiras ganham versão no estrangeiro, grandes sucessos do passado já ganharam suas versões gringas, uma em especial chama sempre minha atenção: Ave Maria no Morro.

Belíssima canção de Heriverto Martins, é uma das músicas brasileiras mais regravadas, e ganhou diversas versões, em inglês, italiano, espanhol, francês, mas com certeza a que chama mais atenção é a versão dos Scorpions. Não sei de quem exatamente é a versão da letra, não achei os créditos, mas isso é o que menos importa...

Pedindo licença ao Wikipedia :

"Martins escreveu a canção enquanto escutava o barulho de pardais se recolhendo às árvores para dormir. A partir disso compôs os seguintes versos da canção: "tem alvorada, tem passarada, ao alvorecer / sinfonia de pardais, anunciando o anoitecer".

A canção narra que os moradores de uma favela carioca (referenciados apenas como "morro") rezam uma Ave-Maria coletiva pedindo uma vida melhor antes de se retirarem para seus barracões durante o anoitecer.

Entusiasmado com a canção que acabara de compor, Martins resolveu interpretá-la para o amigo Benedito Lacerda com seu Trio de Ouro. Martins disse que estava crente de que agradariam a Lacerda, mas terminada a apresentação, Lacerda tirou os óculos e lhes disse: "isso é música de igreja, vamos fazer música para ganhar dinheiro".

Certo tempo depois, o Trio de Ouro gravou a canção, que se transformou num enorme sucesso, mesmo após o Dom Sebastião Leme tê-la considerado uma heresia e ter pedido por seu banimento, que só não foi concretizado devido às relações de amizade que Martins mantinha com os censores da época."

Uma das primeiras versões nacionais da música, na voz de Dalva de Oliveira



A versão dos Scorpions



Outra coisa interessante é a maneira que se alterou a letra, mas não se perde em nada o contexto que a letra original quer passar. Dá para dizer que a versão universalizou a canção, tirou do Rio de Janeiro, Brasil, e cabe em em qualquer lugar pobre do mundo.

Prá terminar, dobre a lingua prá falar que metal é música do capeta daqui por diante hehehe

Abraços